10 ex-ministros da Ciência e Tecnologia lançam manifesto contra retrocessos

 

Dez ex-ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação lançaram nesta segunda-feira, 1º, no Rio de Janeiro, um manifesto em defesa de investimentos no setor e com críticas a medidas impostas pela gestão do presidente Jair Bolsonaro ao setor. O documento não cita os nomes do presidente nem do atual ministro da área, o astronauta Marcos Pontes.

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral enxerga com pessimismo o futuro da ciência e tecnologia brasileiras. Ele afirma que, com os cortes em bolsas de pesquisa acadêmicas, o Brasil está “caminhando para um atraso irrecuperável”.

“É um governo que está assassinando o futuro do país”, analisa o advogado e cientista político. “E isso quando nós estamos ingressando na chamada 4.0. Já perdemos a revolução industrial e vamos perder essa, agora. E isso vai ser definitivo. O mundo vai ficar separado em países produtores de conhecimento [tecnológico] e países importadores de conhecimento. E esse buraco não se preenche mais.”

No encontro, os presentes demonstraram preocupação com a queda no investimento científico bem no momento em que o comércio brasileiro, via Mercosul, se abrirá para o da União Europeia. “É um risco a redução da competitividade da indústria brasileira”, disse Edson Watanabe, diretor da Coppe, instituto de pesquisa na área de engenharia da UFRJ.

Os ex-ministros apontam no documento como exemplos da “maturidade da ciência nacional alcançada nos últimos anos” as tecnologias em exploração de petróleo em águas profundas, pesquisas no setor da agricultura, a construção de um acelerador de partículas de terceira geração, a produção de aviões, entre outros.

Nas próximas semanas, iniciativas semelhantes devem ocorrer com políticos que lideraram as pastas de Cultura e de Saúde desde a redemocratização.

Assinam o manifesto os ex-ministros de Dilma Rousseff: Aloízio Mercadante (2011), Marco Antonio Raupp (2012 a 2014), Clélio Campolina (2014) e Celso Pansera (2015 e 2016), além de Roberto Amaral, do governo Lula (2003).

José Goldemberg (Collor, 1990 a 1992), Sérgio Machado Rezende (Lula, 2003), Aldo Rebelo (Dilma, 2015), Luiz Carlos Bresser-Pereira (FHC, 1999) e Ronaldo Sardenberg (FHC, 1999 a 2003), que também assinaram o documento, não participaram do evento.