O brasileiro é o quinto mais desconectado da sua realidade no mundo, diz pesquisa

Um novo índice de percepção divulgado pela empresa de consultoria Ipsos revelou que a África do Sul é o país mais “bem” classificado em termos de erro de interpretação. Não só os sul-africanos têm grandes percepções errôneas sobre os principais cenários em seu país, mas a maioria dessas percepções equivocadas também se inclinam para o lado negativo, demonstrando uma perspectiva nacional bastante pessimista.

O Brasil, neste mesmo ranking, ficou na quinta posição.  Vale lembrar, que a mesma pesquisa no ano passado, trazia o Brasil em segundo lugar. “Melhoramos”. Mas há um porém: a cada edição, o foco das perguntas é diferente –portanto os rankings anuais não podem ser comparados uns aos outros ou serem vistos como evolução.

Mesmo assim o Brasil esteve entre os líderes de percepção equivocada em todos os anos em que a pesquisa foi realizada. Em 2017,  como dito, segundo país com menos noção sobre a própria realidade, atrás apenas da África do Sul. Um ano antes, ficou em sexto lugar. Na edição deste ano, o foco das perguntas tratou sobre temas relacionados à formação da população, imigração, segurança, criminalidade, comportamento sexual, violência sexual, saúde, economia, ambiente e outros temas.

Em 2018, o Brasil ficou atrás de Tailândia, México, Turquia e Malásia. Os lugares em que a população tem uma maior noção sobre a realidade em que vivem são Hong Kong, Nova Zelândia, Suécia, Hungria e Reino Unido. Essa falta de noção dos brasileiros sobre a própria realidade pode afetar até mesmo o funcionamento da democracia, segundo o ex-diretor de pesquisas do Ipsos, Bobby Duffy, autor do livro “The Perils of Perception: Why we’re wrong about nearly everything” (Os perigos da percepção: Por que estamos errados sobre praticamente tudo).

Em entrevista ao blog Brasilianismo, em setembro, Duffy indicou que candidatos extremistas tendem a se beneficiar da falta de noção da realidade. Ele também explicou que o problema não é exatamente “ignorância”, como dizia a pesquisa originalmente, mas o fato de que as pessoas acreditam ativamente em coisas factualmente erradas, têm uma percepção equivocada da realidade (chamada “misperception” em inglês).

As percepções são importantes e, em muitos casos, parecem estar muito longe da verdade, como foi demonstrado pela consultoria francesa Ipsos em seu novo estudo “Perigos da Percepção”. A fim de determinar a precisão das percepções nacionais, a Ipsos realizou mais de 29.000 entrevistas em 38 países, obtendo opiniões sobre as principais métricas sociais, como gravidez na adolescência e taxas de suicídio.

Com informações da Ipsos