Ceará é destaque no Ideb e Sobral tem melhor ensino fundamental no Brasil

Alunos ‘nota 10’ crescem e Sobral (CE) lidera ensino fundamental do país.

O bom resultado foi relativo ao Ensino Fundamental. Já no Ensino Médio, resultado positivo foi quase nulo em nível nacional e nenhum estado atingiu a meta.

Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017 foram divulgados nesta segunda-feira, 3, e colocam o Ceará em posição de destaque no País. Sobral encabeça a lista das cidades com o melhor ensino fundamental.

O Estado superou com folga a meta estabelecida e continua com esse resultado pelo sexto Ideb consecutivo. Com média 6,1 obtida, foi superada a expectativa de 4,5 projetada pelo Governo Estadual.

Alunos de uma Escola Pública de Sobral. Foto: Secretaria de Educação de Sobral

A cidade de Sobral, a 230 km de Fortaleza, já responsável por ótimos índices nos primeiros anos do Ensino Fundamental, nesta edição também teve resultado relevante nos anos finais, alcançando a primeira posição. A média do município subiu da já alta 6,7 para a marca de 7,2 neste Ideb 2017. Para efeito de comparação, por essa métrica a média 6 equivale ao nível dos países desenvolvidos, algo no nível da educação no Reino Unido. 

Nos anos iniciais, as escolas de Sobral saltaram de média 8,8, em 2015, para 9,1. A média da cidade de Sobral está em patamar da educação de países desenvolvidos. Outras duas cidades cearenses também aparecem bem nos rankings do Ideb 2017. Deputado Irapuan Pinheiro, com média 8,6, aparece em 3º nacional nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Jijoca de Jericoacoara aparece com média 6,7 nos anos finais do Ensino Fundamental, ou segunda colocada da lista. Milhã é outra cidade cearense que conseguiu ficar entre as sete melhores do País nos dois rankings do Ensino Fundamental. Os resultados do Ideb estão disponíveis no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)

Em Sobral, é difícil de negar que a redução da influência política na escolha de diretores das escolas, atestada na tese de graduação de Tábata Amaral de Pontes apresentada em Harvard, aliada ao acompanhamento individual de cada aluno contra a evasão, a processos constantes de qualificação dos professores e a uma remuneração variável pelo atingimento de resultados no Ideb levou a um aumento de qualidade da educação no que toca ao Ideb.

Sobral tem, inclusive, um acompanhamento de uma professora individual para alunos autistas, por exemplo.

Evolução das Escolas Públicas do Ceará frente ao resto do Brasil nos últimos 18 anos.  Em 2017, 82  das 100 melhores escolas estão no Ceará Fonte: MEC


O Ideb pelo Brasil

O ensino médio é a etapa mais crítica, com a meta descumprida em todos os estados. Além de não terem alcançado o índice esperado, cinco estados tiveram redução no valor do Ideb entre 2015 e 2017: Amazonas, Roraima, Amapá, Bahia e Rio de Janeiro. O estado com melhor Ideb, o Espírito Santo, obteve 4,4 pontos, não atingindo a meta de 5,1 para o estado.

Nos anos finais do ensino fundamental, sete estados alcançaram ou superaram a meta proposta para 2017: Rondônia, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso e Goiás. A situação melhorou em relação a 2015, quando cinco estados alcançaram a meta. No ano passado, Alagoas e Rondônia somaram-se à lista. Minas Gerais foi o único estado que teve queda do Ideb na etapa de ensino em 2017.

Já nos anos iniciais do ensino fundamental, apenas os estados do Amapá, Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul não alcançaram as metas para 2017. Oito unidades federativas alcançaram Ideb igual ou maior que 6: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. Na etapa, a maior diferença positiva em relação à meta ocorreu no Ceará que, com um Ideb 6,2, superou a meta 4,8 para o estado em 1,4 ponto.

Na análise do Inep, os números mostram avanços importantes, sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental, mas também, algumas preocupações que precisarão ser discutidas no âmbito das escolas.

A autarquia ressalta que será necessário “indispensável apoio e colaboração dos níveis mais elevados de gestão nos municípios, nos estados e no Ministério da Educação, para que o desempenho dos estudantes brasileiros possa seguir uma trajetória de melhoria”.

A meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) estabelecida para 2017 foi cumprida apenas nos anos iniciais do ensino fundamental, etapa que vai do 1º ao 5º ano. A etapa alcançou 5,8 (em uma escala que vai de 0 a 10), quando a meta estipulada era de 5,5.

No ensino médio, etapa mais crítica, o índice avançou 0,1 ponto, após ficar estagnado por três divulgações seguidas, chegando a 3,8. A meta para 2017 era 4,7.

Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a meta foi descumprida pela primeira vez em 2013 e não atingiu mais o esperado. Em 2017, com Ideb 4,7, o país não alcançou os 5 pontos esperados.

“Apesar do crescimento observado, o país está distante da meta projetada”, avalia o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Ideb.

São Paulo perde posições no Ideb

O indicador de qualidade da educação mostrou que o estado mais rico do país ficou para trás, tanto em duas etapas do ensino fundamental quanto no ensino médio. Na edição anterior do Ideb, em 2015, São Paulo liderava nos anos iniciais (5º ano) e nos finais (9º ano) do ensino fundamental e também no ensino médio.

No ensino médio, a rede paulista caiu, com o índice passando de 3,9 para 3,8 – sendo ultrapassado por Goiás, Espírito Santo e Pernambuco. Ficou empatado com Ceará e Rondônia. A rede paulista é um dos dez estados que caíram no ensino médio. Em 2015, liderava nesta etapa empatado com Pernambuco.

Já no ensino fundamental, São Paulo avançou nos anos iniciais (5º ano) e finais (9º anos). Nos anos iniciais passou de 6,3 para 6,5. Porém, foi superado por Ceará e Goiás e ficou empatado em terceiro lugar com Minas Gerais. Nos anos finais, a rede paulista teve um leve aumento, de 4,7 para 4,8. O índice é superado por Goiás e Rondônia e fica empatado com Santa Catarina.

O que é o Ideb?

Divulgado no dia 5 pelo Ministério da Educação (MEC), o Ideb é o principal indicador de qualidade da educação brasileira. O índice avalia o ensino fundamental e médio no país, com base em dados sobre aprovação nas escolas e desempenho dos estudantes no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O resultado do Saeb foi divulgado na semana passada pelo MEC.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 e reúne, em um só indicador, os resultados de dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações.

Ele é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e das médias de desempenho nas avaliações do Inep, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) – para as unidades da federação e para o país, e a Prova Brasil – para os municípios.

Para que serve?

O Ideb agrega ao enfoque pedagógico dos resultados das avaliações em larga escala do Inep a possibilidade de resultados sintéticos, facilmente assimiláveis, e que permitem traçar metas de qualidade educacional para os sistemas. O índice varia de zero a 10 e a combinação entre fluxo e aprendizagem tem o mérito de equilibrar as duas dimensões: se um sistema de ensino retiver seus alunos para obter resultados de melhor qualidade no Saeb ou Prova Brasil, o fator fluxo será alterado, indicando a necessidade de melhoria do sistema. Se, ao contrário, o sistema apressar a aprovação do aluno sem qualidade, o resultado das avaliações indicará igualmente a necessidade de melhoria do sistema.

O Ideb também é importante por ser condutor de política pública em prol da qualidade da educação. É a ferramenta para acompanhamento das metas de qualidade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) para a educação básica, que tem estabelecido, como meta, que em 2022 o Ideb do Brasil seja 6,0 – média que corresponde a um sistema educacional de qualidade comparável a dos países desenvolvidos.

Desde a criação do indicador, em 2007, foram estabelecidas diferentes metas (nacional, estadual, municipal e por escola) que devem ser atingidas a cada dois anos, quando o Ideb é calculado. O índice vai de 0 a 10. A meta para o Brasil é alcançar a média 6 até 2021, patamar educacional correspondente ao de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Cálculo das metas

As metas intermediárias para o Ideb em todas as esferas foram calculadas pelo Inep no âmbito do programa de metas fixadas pelo Compromisso Todos pela Educação, eixo do Plano de Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Educação, que trata da educação básica. Cada sistema deve evoluir segundo pontos de partida distintos, e com esforço maior daqueles que partem em pior situação, com um objetivo implícito de redução da desigualdade educacional.

A definição de um Ideb nacional igual a 6,0 teve como referência a qualidade dos sistemas em países da OCDE. Essa comparação internacional só foi possível graças a uma técnica de compatibilização entre a distribuição das proficiências observadas no Programme for International Student Assessment (Pisa) e no Saeb.

A meta nacional norteia todo o cálculo das trajetórias intermediárias individuais do Ideb para o Brasil, unidades da Federação, municípios e escolas, a partir do compartilhamento do esforço necessário em cada esfera para que o País atinja a média almejada no período definido.

Com informações do Ministério da Educação com resultados do IDEB 2017, da Havard University com a tese “The Politics of Education Reform in Brazilian Municipalities”  de Tábata Amaral, do PISA (Programme for International Student Assessment) em seu relatório PISA 2015