USB-C: a confusão entre formato físico e velocidade de transferência

 

Muitos dos novos produtos, principalmente os topo de linha, dos maiores fabricantes de gadgets e eletrônicos do mundo estão já adotando o novo padrão USB-C.

Por que os topo de linha? Porque ainda há um custo relativamente elevado em royalties para se utilizar esse padrão, que gira na casa dos US$100.00 por dispositivo. Valor que inviabiliza este padrão de conexão para os celulares de entrada nos dias de hoje.

Em um único tipo de cabo que pode ser usado para transferência energia, dados, audios e vídeos altíssimas velocidades tem causado muitas dúvidas na prática e não é limitado a um único fabricante, como os cabos lightning da Apple que apenas servem nos iPads e iPhones.

Se ele é o novo padrão, por que há diferenças de velocidades entre fabricantes?

Bem… é sobre isso que vamos falar.

Mesmo já existente há alguns anos, ainda há muita confusão no que toca ao padrão USB-C. Sua intenção era pra ser um conector universal, unindo celulares, computadores, fontes de energia e acessórios. Mas há um grande problema por trás desse padrão.

USB-C se refere única e exclusivamente ao formato físico do conector e não ao protocolo de comunicação. Dois cabos USB-C podem ter o mesmo formato do conector mas o que acontece dentro desses cabos pode ser muito diferente.

O protocolo, ou especificação, é o que determina o que o cabo pode transferir e quão rápido ele pode enviar os dados. Assim, um cabo USB-C pode ser limitado pelas velocidades de USB 3.0, USB 3.1 ou mesmo das especificações do USB 2.0.

Alguns cabos USB-C são USB 3.1 gen 2. Isso significa que ele pode transferir um filme inteiro em HD (Alta resolução) em apenas 5 segundos, certa de 10 Gigabits por segundo. Mas você pode ter um cabo USB-C tão lento quanto as antigas especificações do padrão USB 2.0, transferindo o mesmo filme em 2 minutos com uma velocidade de 480 megabits (0.48 gigabits) por segundo.

Provavelmente o cabo USB-C que você usa para carregar o seu Smartphone Android não é tão rápido quanto o cabo USB-C que vem com seu HD externo.

Pra se tornar algo ainda mais confuso, alguns cabos USB-C podem ser usados com um segundo monitor, quando outros não terão essa capacidade de enviar sinais de vídeo de jeito nenhum.

E você certamente poderá se confundir se você misturar esses dois tipos de cabo com esse mesmo padrão. E as coisas podem ficar mais complicadas se você começar a usar adaptadores para que o USB-C funcione com outros tipos de conexão: como os plugs de audio para Headphone.

Um tipo de adaptador de USB-C para plug de headphone feito por um fabricante pode muito bem não funcionar para o headphone de outro fabricante.

Mas tirando essas confusões de padrões e velocidade, qual seria realmente a grande preocupação de fato?

Bem, cabos USB-C também são responsáveis pela transmissão de energia. Os riscos são muito maiores quando você está contando com um cabo para enviar a quantidade correta de eletricidade para o seu dispositivo. Muitos smartphones e notebooks podem ser carregados pelo o USB-C, mas a quantidade de energia que esses cabos podem entregar não são necessariamente a mesma.

Muitas vezes um laptop demanda em geral o dobro da quantidade de energia (5 Amps) que um smartphone (3 Amps). As consequências de se usar o cabo errado pode ser muito maior que apenas a velocidade menor de recarregamento.

A consequencia de usar um cabo USB-C no notebook que entregue mais energia que o especificado é de que a porta de entrada pare completamente de funcionar.

Em 2016 um engenheiro do Google testou uma variedade enorme de cabos USB-C vendidos sem marcas conhecidas no site da Amazon.

Um cabo fez com que o seu PixelBook parasse de funcionar. Desde então ele deu andamento aos seus reviews com dúzias de cabos comprados na Amazon e continuou encontrando cabos que não atendiam corretamente ao que estava em suas respectivas especificações.

Mas como empresas como Google e Apple conseguem suportar cabos que teoricamente provocam tantos danos?

Cabos USB-C supostamente deveriam ter proteções de segurança colocando-as internamente para prevenir danos. Se eles são usados em dispositivos que não suportam a potência máxima do cabo, o próprio cabo, teoricamente, seriam responsáveis por manter o dispositivo seguro. Mas.. de vez em quando os fabricantes decidem cortar gastos na fabricação dos cabos para reduzir custos e aí.. algumas proteções… vão embora.

Cabos USB-C fora das especificações podem realmente causar sérios danos aos seus equipamentos e dispositivos. Isso fica parecendo que há cabos “do mal” apenas esperando para destruir o seu dispositivo. Mas essas histórias de terror apenas acontecem com os cabos que não tem esse mecanismo de proteção de segurança.

Então, como não correr esse risco? Basta comprar os cabos apenas de fabricantes que se pode confiar, com ótimas notas de avaliação nos sites. Desconfie de avaliações muito discrepantes (muitos votos nota 10 e muitos votos nota 0). E veja se realmente as pessoas estão usando os cabos para aquilo que ele foi descrito como para sua aplicação: pessoas podem reclamar de um USB-C especificado para recarregamento de celular e reclamarem da lentidão na transferência de dados.

Mas no fim, tente sempre usar os cabos que vem junto com o seu dispositivo para evitar qualquer surpresa desagradável.

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