NASA ativa motor de espaçonave a 22 bilhões de quilômetros da Terra

Conceito do artista da nave espacial Voyager 1 (Crédito: NASA / JPL-Caltech)

Após quase quatro décadas de dormência, a NASA conseguiu enviar com sucesso o comando para religar um conjunto de propulsores da sonda espacial Voyager 1 que estavam inativos há 37 anos. O teste de 28 de novembro foi realizado pelo Controle de Missão no Jet Propulsion Laboratory (JPL) em Pasadena, Califórnia, como parte de um esforço para manter o explorador não tripulado funcional por mais três anos à medida que ele se afasta no espaço interestelar.

Lançado há 40 anos, a Voyager 1 é o objeto artificial mais distante e mais rápido que já deixou a Terra, e a uma distância de 13 bilhões de milhas (22 bilhões de km) de distância, um sinal da nave espacial nuclear leva 19 horas e 35 minutos para alcancar uma das antenas da rede Deep Space da NASA em Goldstone, Califórnia. Em 2013,  ela se tornou o primeiro objeto a entrar no espaço interestelar e a agência acredita que as baterias ainda continuem funcionando até 2015.

Entretanto, por quanto tempo as fontes de energia nuclear irão funcionar é irrelevante se manter as antenas apontadas para a Terra não for possível. Se no comportamento da Voyager ela começar a deslizar pra outras direções há o perigo de se perder o contato para sempre e ela se desligar automaticamente.

Para evitar que isso aconteça, a sonda é equipada com um conjunto de giroscópios e 16 propulsores MR-103 de hidrazina (oito primários e oito de backup) construídos pela Aerojet Rocket Dyne.

Esses propulsores foram de vital importância durante as manobras complexas quando a Voyager 1 voou em Júpiter e Saturno. Eles não só asseguraram que nave espacial mantivesse sua trajetória correta como a impulsionaram para ter  sua velocidade alta o suficiente para atingir o seu próximo alvo e, por fim, escapar do Sistema Solar, mas foram também essenciais para alinhar corretamente a antena da nave espacial  e apontando seus instrumentos na direções corretas.

Uma vez que a Voyager deixou Saturno há três anos em sua missão, a maioria dos propulsores tornou-se redundante e a NASA ordenou que a sonda os  desligassem e deixasse aquecer para economizar energia elétrica.

Atualmente, ela depende de apenas quatro propulsores primários de controle de atitude para mantê-lo apontando para a Terra usando curtos jatos de gás por alguns milissegundos. O problema é que o propulsor nesse sistema de propulsão é limitado e os próprios motores começaram a se degradar há três anos, gerando cada vez menos força.

Disco de ouro que se encontra dentro da Voyager com gravacões de sons da Terra e símbolos

Para manter a Voyager 1 viva, um grupo de especialistas em propulsão JPL recomendou ao controle da missão para mudar para os outros quatro propulsores de manobras de correção de Trajetória (TCM) que estavam desligados e que não estavam funcionando desde 1980. Isso significava recuperar dados desde os primeiros anos do Projeto que incluia software escrito em uma linguagem assembly (linguagem de máquina) do tempo em que o BASIC e Fortran eram novidades e o que se tinha de mais avançado em termos de programação.

De acordo com a NASA, o teste na quarta-feira passada, a sonda acionou os quatro propulsores TCM por 10 milissegundos em uma série de pulsos que demonstraram que eles podiam assumir a tarefa de controle de direção. A agência espacial planeja ligar os quatro propulsores um a cada vez em janeiro para trazê-los totalmente online. Eles serão usados para o controle de direção até que não haja energia suficiente para os aquecedores, após o qual o trabalho retornará ao sistema original.

Além disso, a agência planeja fazer uma mudança semelhante na Voyager 2, que está programada para entrar no espaço interestelar em alguns anos.

Com informações da NASA