Dispositivo produz energia a partir do suor durante o sono

Pesquisadores criaram um dispositivo que coleta o suor apenas na ponta dos dedos, com níveis de altíssima eficiência.

Nosso biocombustível de fabricação própria tem o potencial de alimentar vários pequenos eletrônicos vestíveis, de acordo com engenheiros da Universidade da Califórnia em San Diego.

Muitas tecnologias vestíveis movidas a energia humana exigem muito exercício para surtir efeito total – esta invenção só precisa que você tenha uma boa noite de sono para produzir energia real e sustentável de suas mãos.

O dispositivo criado usa uma célula de biocombustível alimentada pelos lactatos que se dissolvem em nosso suor – a mesma tecnologia da bateria sustentável de relógios inteligentes da Universidade de Tóquio, que ganhou as manchetes no início deste ano.

Cada almofada de dedo tem um centímetro quadrado e é feita de espuma flexível que contém um hidrogel para máxima absorção de suor.

O dispositivo pode operar sem qualquer atividade física e é capaz de produzir com sucesso 300 milijoules (mJ) de energia por centímetro quadrado de pele durante um sono de 10 horas.

O processo em jogo cria “energia a partir do nada”, precisando apenas de acesso às glândulas sudoríparas na ponta dos dedos humanos. Seu material macio permite que o processo seja confortável e discreto por longos períodos de tempo.

Tradicionalmente, os dispositivos de energia movidos a suor exigem níveis intensos de cardio para causar algum impacto.

Isso cria problemas para os usuários que podem acabar gastando mais energia do que o que acaba sendo usado para alimentar suas tecnologias inteligentes. Alguns especialistas estimam que o retorno sobre a energia investida seja de apenas um por cento.

Projetar um produto que pode fazer o mesmo a partir de energia estática significa que isso simplesmente não precisa mais ser o caso.

Nossas pontas dos dedos contêm uma concentração surpreendentemente alta de glândulas sudoríparas

Muitas vezes são feitas perguntas sobre por que os eletrônicos movidos a suor não são colocados em áreas do corpo onde sentimos mais transpiração. Nossas pontas dos dedos abrigam a maior concentração de glândulas sudoríparas no corpo humano – mais do que nossas axilas ou costas.

“A geração de mais suor nos dedos provavelmente evoluiu para nos ajudar a segurar melhor as coisas”, diz Lu Yin, estudante de doutorado em nanoengenharia que trabalha no dispositivo.

“As taxas de suor no dedo podem chegar a alguns microlitros por centímetro quadrado por minuto. Isso é significativo em comparação com outros locais do corpo, onde as taxas de suor são talvez duas ou três ordens de magnitude menores”.

A equipe agora está decidida a integrar sua descoberta em formas físicas vestíveis, como luvas. Também é possível que a tecnologia possa um dia ser usada para alimentar dispositivos com capacidade sem fio, usando seus recursos sensoriais para se conectar aos nossos smartphones.

É um dos muitos avanços do departamento de pesquisa de eletrônicos vestíveis dedicados, responsável por criar e testar vários sensores e patches com alimentação sustentável.

“Há muito potencial empolgante”, diz o autor sênior Joseph Wang. “Temos dez dedos para brincar.”

Confira o vídeo (em inglês) sobre o dispositivo:

Fonte: Universidade da Califórnia San Diego (UCSD)

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