Incêndios florestais varrem o Pantanal

Os incêndios florestais invadiram um parque estadual conhecido por sua população de onças, enquanto bombeiros, ambientalistas e fazendeiros na maior região de pântanos tropicais do mundo lutam para sufocar as chamas recordes.

O incêndio cercou o parque Encontro das Águas, no Pantanal, na divisa dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas os rios ajudaram a manter as chamas afastadas. Em seguida, as chamas avançaram e estão causando destruição por mais de uma semana. De acordo com a porta-voz dos bombeiros de Mato Grosso, tenente-coronel Sheila Sebalhos, há poucas perspectivas de ajuda em curto prazo com as chuvas.

“A previsão não é boa”, disse Sebalhos por telefone de Cuiabá, após passar semanas na zona do incêndio.

Cerca de 200 onças-pintadas já sofreram ferimentos, morte ou deslocamento por causa dos incêndios, de acordo com a Panthera, uma organização internacional de conservação de gatos selvagens.

O Pantanal abriga milhares de espécies de plantas e animais, incluindo 159 mamíferos, e está repleto de onças, de acordo com o grupo ambientalista WWF.

Onças-pintadas sob ameaça

A maior população de onças-pintadas (ou jaguares, como conhecido fora do Brasil) do mundo está sob o ataque de incêndios florestais em vastas áreas úmidas tropicais no sudoeste do Brasil.

Bombeiros, fazendeiros, cientistas, ambientalistas e residentes locais estão se unindo para tentar abafar as chamas e salvar as onças.

Os incêndios estão queimando uma das regiões com maior diversidade biológica do planeta. Além das onças, o Pantanal também abriga milhares de outras espécies de plantas e animais, incluindo tucanos, jacarés, ariranhas e tamanduás-bandeira, segundo o World Wildlife Fund.

As onças estão concentradas em um parque estadual chamado Encontro das Águas. Os incêndios atingiram o parque nos últimos dias depois de queimar mais de 8.900 milhas quadradas de terras em zonas úmidas conhecidas como Pantanal, que começa no extremo sul da floresta amazônica e se estende por partes do Brasil, Bolívia e Paraguai, informou a Agence France-Presse .

Duzentos delas já foram mortos, feridas ou desabrigadas devido aos incêndios, de acordo com o Panthera, um grande grupo de conservação dos felinos.

A região é acostumada a queimadas durante a estação seca, mas quem trabalha no Pantanal afirma que a seca extrema, combinada com calor e vento, criou uma situação terrível.

“Poucos animais sobrevivem. Os que sobrevivem, muitas vezes sofrem efeitos muito graves. São queimados até os ossos, muitas vezes precisam ser sacrificados, ou morrem de fome e sede”, Juliana Camargo, chefe do grupo de preservação da vida selvagem AMPARA Animal , disse à AFP.

“A pior parte é quando as pessoas no terreno que lutam contra os incêndios nos dizem: ‘Não há nada que possamos fazer, tudo vai queimar.’ A única esperança é que chova, mas isso não é esperado até novembro. “