Hub Tecnológico da Letônia está trazendo inovação e colocando as mulheres no comando

 

A cia aérea nacional da Letônia (AirBaltic)tem aceitado o bitcoin desde 2014 e diz que em 2017 essa opção de pagamento on-line cresceu mais de 65% e o valor desses bilhetes é 2,5 vezes maior do que a opção usual de moeda fiduciária.

Essa inovação nos países bálticos, no entanto, não é novidade. A Estônia é conhecida há muito tempo como o país que oferece a residência eletrônica (E-residency) “facilitando as interações dos cidadãos com o Estado por meio do uso de soluções eletrônicas”. Esta ideia provou nos últimos 20 anos ser altamente bem-sucedida. (Escrevi sobre a Estônia em um artigo aqui no site)

Imagem do evento da TechChill em 2016
Imagem do evento da TechChill em 2016

O país vizinho da Letônia também está chacoalhando o mundo da tecnologia e dos negócios, especialmente devido ao sucesso de seu evento anual TechChill.

Mulheres no comando

Quando se trata de igualdade feminina, a Letônia também é uma grande pioneira.

De acordo com dados da EuroStat divulgados para o Dia Internacional da Mulher no mês passado, apenas um em cada três gerentes da UE é do sexo feminino. No entanto, na Letônia, este valor é  diferente: 53% dos cargos de chefia são para as mulheres. Este é o índice mais alto da UE.

Na cena tecnológica é também do matriarcado. Os principais nomes de startups da TechChill, TechHub Riga e da associação Latvian Startup são todos chefiados por mulheres. Isso mesmo. Inovação tecnológica e vanguarda sob direção feminina.

No ministério da Fazenda, a ministra  é do sexo feminino e as mulheres já ocupam cargos de liderança no governo há anos. O próprio TechChill teve 46% de participantes do sexo feminino em 2018.

Marija Rucevska, Diretora Executiva da TechChill da Letônia

A diretora executiva da TechChill, Marija Rucevska, tem sido uma grande referência para as mulheres na cena tecnológica da Letônia, na medida em que no início de março ela entregou o evento para outra mulher, Kristine Kornilova.

Rucevska continuará a ser membro do conselho da TechChill, mas está apaixonada pelo “lugar de uma mulher” no país. Em entrevista para a Forbes disse:

“A Letônia é um excelente lugar, tanto para as mulheres como para os fundadores e empreendedores em geral. O cenário  tecnológico é brilhante e os letões têm um espírito de luta há gerações – quando és pequeno e frio, tens de ficar junto de todos.

“Aqui, quando falamos de startups, não procuramos unicórnios míticos – falamos sobre as que são humildes baratas (o inseto). As que são pequenas, rápidas e eficazes, aquelas que podem sobreviver a um apocalipse nuclear e prosperar.”

Kristine Kornilova, da TechChill

“Também estamos encorajando a próxima geração de empreendedores, e é por isso que montamos uma sala para crianças na TechChill. É uma situação no estilo ganha-ganha – garantir que nossos eventos tecnológicos sejam acolhedores para pais de ambos os sexos e investir nos futuros empreendedores”, disse ela.

AirDog se torna o melhor drone da CES 2015, levanta a maior rodada de investimento até hoje no evento.

Capital Mundial  dos drones 

Riga também está se tornando um local importante para o mundo dos drones. A Atlas Aerospace da cidade está lançando uma produção em larga escala de drones na Letônia, abrindo uma fábrica de componentes de carbono e criando centenas de empregos bem remunerados com a ambição de criar um centro europeu de construção de drones em Riga.

As competições de drones se tornaram um esporte emergente, jovem e dinâmico em Riga. Os chamados Rīdzinieki (cidadãos da Letônia) fazem parte de uma cultura emergente que se desenvolveu em torno de eSports e outras competições orientadas para a tecnologia.

Latvian Airdog é outra empresa  bem interessante. Este drone autônomo é projetado para esportes radicais, usando câmeras GoPro, bem como Aerones – drones transportando cargas pesadas e combatendo acidentes de incêndio.

Segurança Cibernética

Depois, há a segurança cibernética, um foco compreensível, uma vez que a Letônia empaca precariamente entre a OTAN e a Rússia. A maior operadora de telefonia móvel do país, a Latvijas Mobilais Telefons (LMT), está desenvolvendo uma linha de celulares cibernéticos e uma plataforma móvel para a chamada Internet das Coisas do Campo de Batalha.

O projeto ‘Smartguard’ está atualmente no processo de desenvolvimento como uma plataforma de informação para o setor de segurança pública. LMT diz que será feito sob medida para o setor de segurança com uma solução específica de proteção de dados.

A operadora também criou uma gama de celulares cibernéticos que já foi usada durante o exercício da OTAN Cooperative Cyber ​​Defense Center of Excellence Crossed Swords 2018.

“É seguro dizer que a LMT  uma das empresas mais inovadoras da Letônia deu um passo importante no uso de tecnologia de ponta para a segurança nacional”, diz Raimonds Bergmanis, ministro da Defesa da Letônia.

Longe dos drones, da segurança cibernética e no mundo das mulheres poderosas, a palavra final tem que ir para Rucevska, que ainda vê espaço para melhorias quando se trata de desigualdade de gênero; mesmo na Letônia.

“Claro, há sempre mais o que fazer e eu gostaria de ver ainda mais mulheres fundadoras e mulheres VPs. Mas mulheres fortes sempre desempenharam papéis importantes na história e no empreendedorismo na Letônia”, conclui.

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